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quinta-feira

a margem - coletivo de artistas


Ainda em minhas andanças para compor as oficinas do VI Fórum do Centro de Atenção às Juventudes (CAJU) da EBMSP "Arte, Cotidiano, (Re)existências: faça você mesmo!", encontrei o coletivo a margem:

"um coletivo de artistas multilinguagens que trabalha as possibilidades dos fazeres manuais e da produção gráfica e experimental, questionando o papel formal da arquitetura e das artes plásticas; espaço de criação e experimentação em coletividade; deslocamentos, subversões e recontextualizações através da palavra, da imagem e do livro".




PANTIM - produção manual

Recente descobri a Companhia PANTIM, quando organizava a produção do VI Fórum do Centro de Atenção às Juventudes (CAJU), um centro de serviços vinculado à Pró-reitoria de Extensão da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, do qual sou coordenador, e que trabalha com promoção de saúde mental das juventudes através do desenvolvimento de práticas de cuidado inspiradas em poéticas artísticas, saberes de tradição oral e PICS.

Encontrei a PANTIM através da indicação de um amigo poeta, Alex Simões. Precisava de alguém que realizasse uma oficina de Zine no Fórum do CAJU, que este ano tem como proposta tematizar o (re)encantamento do cotidiano através de ações micropolíticas inspiradas em poéticas artísticas. Alex me falou de Luciany Aparecida, uma das inventoras da PANTIM.





sexta-feira

BUALA

Acabo de descobrir, e já existe a oito anos, o projeto BUALAuma plataforma que actua sobre questões pós-coloniais nas áreas da cultura, comunicação, arte e educação.



"Do significado de BUALA (aldeia, bairro, comunidade, periferia), na língua quimbundo, retemos esse ponto de encontro, casa comum de várias geografias e contribuições. Portal online (aberto) de crítica e documentação de questões pós-coloniais e transatlânticas, com muita incidência na relação entre Portugal, África e Brasil, e seus contextos socio-culturais particulares. Apelamos a esse olhar contemporâneo, transversal e problematizante, através de uma abordagem interdisciplinar e pluralidade de colaborações" (Fonte: no sítio).

sábado

Luedji Luna - corpo ancestral

O "de onde vim" precede o "quem sou". A psicologia tem muito aprendimento a realizar com a etnologia e as culturas ancestrais, e sua deferência aos antigos.

Luedji Luna, você conhece? "Um corpo no mundo" diz, sobre a encarnação da ancestralidade no corpo onde performa um sujeito.

Resultado de imagem para luedji luna letras

UM CORPO NO MUNDO
(Luedji Luna)

Atravessei o mar
Um sol da América do Sul me guia
Trago uma mala de mão
Dentro uma oração
Um adeus

Eu sou um corpo
Um ser
Um corpo só
Tem cor, tem corte
E a história do meu lugar
Eu sou a minha própria embarcação
Sou minha própria sorte

E Je suis ici, ainda que não queiram não
Je suis ici, ainda que eu não queira mais
Je suis ici agora

Cada rua dessa cidade cinza sou eu
Olhares brancos me fitam
Há perigo nas esquinas
E eu falo mais de três línguas

E a palavra amor, cadê?
Je suis ici, ainda que não queiram não
Je suis ici, ainda que eu não queira mais
Je suis ici, agora
Je suis ici
E a palavra amor cadê?

domingo

o pensamento africano no séc. XX

Leitura imprescindível para recolocar cânones, em tempos de crise total em todos os âmbitos.

"O pensamento africano no século XX reúne textos de 14 intelectuais sobre os principais nomes e ideias que norteiam os olhares sobre África e a diáspora negra."

A obra foi organizada pelo professor José Rivair Macedo (UFRGS) e lançada pela editora Expressão Popular em 09 de fevereiro último (2017).

Para ler a introdução da obra, clique aqui.



Suplemento Pernambuco



Surpreendente, o Suplemento Pernambuco! Caderno cultural do Diário Oficial do estado de Pernambuco, antenado, diversificado, com ótimxs colunistas e colaboradorxs. Uma raridade!


terça-feira

O Brasil e a atualidade do Macunaíma

A atualidade de Macunaíma relembra Alfredo Bosi, crítico e professor da Universidade de São Paulo.

* * *




Primeiramente: a atual situação, a encruza sempre reencontrada, esbatida no caminho. Quase. Certa feita, em não dar certo. Golpe em curso, eterno retorno do Mesmo, a política esboroa cínica e burra. Qual futuro? Ora pro nobis, sempre às voltas com a agonia de um futuro à imagem e semelhança:

“A consciência popular brasileira se faz inviolável, insubordinável, não se deixando invadir e dominar, é graças a este escudo brincalhão do riso e da malícia. Se não fosse assim, todos seríamos eleitores guiados pela TV, resignados com a pouca vergonha que campeia por aí” (Darcy Ribeiro, p. XIX).

E não somos? Inertes e perplexos, não estamos? Qual futuro?

“No entanto, não há em Macunaíma a contemplação serena de uma síntese. Ao contrário, o autor insiste no modo de ser incoerente e desencontrado desse “caráter” que, de tão plural, resulta em ser “nenhum”. E aquele possível “otimismo”, que era amor às falas e aos feitos populares, ao seu teor livre e instintivo, esbarra na constatação melancólica de uma amorfia sem medula nem projeto. O herói de nossa gente é cúpido, lascivo, glutão, indolente, covarde, mentiroso, ainda que por seus desastres mereça a piedade do céu que o abrigará entre as constelações. É a Ursa Maior.
(…)
Coexistem ou alternam-se, na gangorra ideológica, o otimismo e o pessimismo em face dos destinos do povo brasileiro. Creio que tal irresolução é cognitiva e afetiva: Macunaíma se inscreve no quadro de perplexidades que tem por nomes Retrato do Brasil, Casa Grande & Senzala, Raízes do Brasil, todas obras pensadas em um tempo dilacerado pelo desejo de compreender o país, acusar as suas mazelas, mas remir a hipoteca das teorias colonizadoras e racistas que havia tantos anos pesava sobre a nossa vida intelectual” (p. 179*).


Qual futuro?


____________
* Macunaíma o herói sem nenhum caráter. Ed. crítica / Telê Porto Ancona Lopez, coordenadora. Paris: Association Arquives de la Littérature latino-américaine, des Caraïbes et africaine du XX siècle; Brasília, DF: CNPQ, 1988.

a atualidade do Macunaíma

A atualidade de Macunaíma relembra Alfredo Bosi, crítico e professor da Universidade de São Paulo.

* * *

Primeiramente: a atual situação, a encruza sempre reencontrada, esbatida no caminho. Quase. Certa feita, em não dar certo. Golpe em curso, eterno retorno do Mesmo, a política esboroa cínica e burra. Qual futuro? Ora pro nobis, sempre às voltas com a agonia de um futuro à imagem e semelhança:

“A consciência popular brasileira se faz inviolável, insubordinável, não se deixando invadir e dominar, é graças a este escudo brincalhão do riso e da malícia. Se não fosse assim, todos seríamos eleitores guiados pela TV, resignados com a pouca vergonha que campeia por aí” (Darcy Ribeiro, p. XIX).

E não somos? Inertes e perplexos, não estamos? Qual futuro?

“No entanto, não há em Macunaíma a contemplação serena de uma síntese. Ao contrário, o autor insiste no modo de ser incoerente e desencontrado desse “caráter” que, de tão plural, resulta em ser “nenhum”. E aquele possível “otimismo”, que era amor às falas e aos feitos populares, ao seu teor livre e instintivo, esbarra na constatação melancólica de uma amorfia sem medula nem projeto. O herói de nossa gente é cúpido, lascivo, glutão, indolente, covarde, mentiroso, ainda que por seus desastres mereça a piedade do céu que o abrigará entre as constelações. É a Ursa Maior.
(…)
Coexistem ou alternam-se, na gangorra ideológica, o otimismo e o pessimismo em face dos destinos do povo brasileiro. Creio que tal irresolução é cognitiva e afetiva: Macunaíma se inscreve no quadro de perplexidades que tem por nomes Retrato do Brasil, Casa Grande & Senzala, Raízes do Brasil, todas obras pensadas em um tempo dilacerado pelo desejo de compreender o país, acusar as suas mazelas, mas remir a hipoteca das teorias colonizadoras e racistas que havia tantos anos pesava sobre a nossa vida intelectual” (p. 179*).


Qual futuro?


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* Macunaíma o herói sem nenhum caráter. Ed. crítica / Telê Porto Ancona Lopez, coordenadora. Paris: Association Arquives de la Littérature latino-américaine, des Caraïbes et africaine du XX siècle; Brasília, DF: CNPQ, 1988.

Macunaíma - edição crítica





Sugestão de nosso amigo palhaço de classe, um achado, cadinho de sonho.

A edição crítica, coordenada por Telê Porto Ancona Lopez, de “Macunaíma – o herói sem nenhum caráter”, por Mário de Andrade.

O interesse por Macunaíma me foi renovado por uma controvérsia com um estudante, pondo-se contra à minha sugestão de utilizar “Macunaíma” para nomear uma atividade de extensão da faculdade, na qual estávamos juntos empenhados com outros professores, profissionais e estudantes. O seu argumento contra “Macunaíma” era o de que ele reforçaria o estigma de “negro preguiçoso”, e tudo enquanto fossem imagens negativas, pejorativas, contra as pessoas de cor. Mário de Andrade então teria prestado um desserviço às gentes brasileiras, ao esboçar qualidade tão vil quanto a preguiça como sendo parte (da falta de) do caráter da entidade nacional.

Foi então me socorrendo ao amigo palhaço de classe sobre o denunciado racismo na obra de nosso modernista “ingênuo”, que me apresentou a tal edição crítica em pauta.

Talvez ousasse dizer ao gentio estudante, que o trágico seja saber que renegar a preguiça seria permanecer encantado, e numa margem mais distante, pelo civilizado moderno –“macho adulto branco sempre no comando”. Ao contrário, 

"Uma brasileira preguiça, diria Antonio Cândido, como a reação do escravo predestinado pelo senhor a ser queimado no eito como carvão humano se não se poupa, negando-se à sua destinação de morrer para o patrão lucrar. Os descendentes do escravo e do senhor aí estão, até hoje, nesta contenda: os esfoladores e os esfolados, os tristes e os risonhos" (Darcy Ribeiro, p. XX).

No texto que segue a então "Liminar", de Darcy Ribeiro – entusiasta da obra -, “Situação de Macunaíma”, Alfredo Bosi escreveu:

“O brasileiro seria um homem desavindo consigo mesmo. Não encontrando lugar próprio nem na mata nem na metrópole, nem no Uraricoera nem na Paulicéia, ele padece em ambos. Não por acaso

Macunaíma desiste de viver na sua terra. Mas fugir para onde?

Para o céu, onde é possível morar como estrela e brilhar de um “brilho inútil”:

A Ursa Maior é Macunaíma. É mesmo o herói capenga que de tanto penar na terra sem saúde e com muita saúva, se aborreceu de tudo, foi-se embora e banza solitário no campo vasto do céu”.

A filosofia da preguiça tropical se espiritualiza e vira inércia sublimada” (!) (p. 180).





sábado

Gambiarras, de Cao Guimarães


“Fotografo as gambiarras, essas coisas feitas para resolver um problema de maneira não convencional” (Cao Guimarães).

As gambiarras, fotografadas pelo cineasta e artista plástico brasileiro Cao Guimarães, nascido em 1965, em Belo Horizonte, expressam uma estética que é também uma política. A bricolagem e o re-uso como re-existência em tempos de consumismo e descartabilidade. 


projeto Rua dos Inventos

Belo projeto de Gabriela Gusmão, Rua dos Inventos é um ensaio fotográfico que exprime um olhar sutil sobre a cidade e seus espaços públicos. Assim a autora nos apresenta:


"Por este ensaio, fruto de meus devaneios sobre o espaço público, registro um breve testemunho, detalhe na vastidão desse universo, retrato da utopia que alimenta minha crença na possibilidade de reconstrução da realidade pelo olhar transfigurado de um passante desatento às preocupações, mas alerta ao brilho do sol no canto da lata abandonada na esquina. 

Aqueles objetos poderiam estar mortos, mas foram ativados pela dança muda da transfiguração da matéria-prima residual em genuína arte da sobrevivência. Tratam-se de atitudes baseadas em situações de necessidade extrema, exercidas em caminhos cotidianos surpreendentes, através de peculiares formas de tecnologia.

Deseduquei minha visão a ponto de me ocupar, principalmente, de "inutilezas" ou "grandezas do ínfimo", como diz o poeta Manoel de Barros com sua graça verbal. E procurei colher, na rua, imagens de uma evidência quase invisível. Arranjos de objetos achados, improvisados ou inventados para desenhar a realidade inadiável, a cada dia". (Gabriela Gusmão)







terça-feira

100 discos de 2014

Retomando as potagens em 2015, segue uma dica pra quem gosta de música brasileira contemporânea: a retrospectiva feita pelo pessoal do Euovo, com os 100 melhores discos de 2014.


sexta-feira

Woody Allen

Woody Allen, nome artístico de Allan Stewart Königsberg (Nova Iorque, 1 de dezembro de 1935), é um cineasta, roteirista, escritor, ator e músico estadunidense.



Alguns filmes:

Hannah e suas irmãs (1986)
Simplesmente Alice (1990)
Um misterioso assassinato em Manhattan (1993)
Poderosa Afrodite (1995)
Desconstruindo Harry (1997)
Celebridades (1998)
Melinda e Melinda (2004)
Match point (2005)
Vicky Cristina Barcelona (2008)
Tudo pode dar certo (2009)
Você vai conhecer o homem dos seus sonhos (2010)
Blue Jasmine (2013)

terça-feira

cidades para pessoas

Conheça 12 critérios para determinar um bom espaço público e avalie o seu bairro.





O projeto Cidades para Pessoas é uma rede de conteúdo e conexões urbanas. Sua missão é "gerar repertório, por meio de reportagens e ilustrações, sobre como melhorar as cidades e fazer conexões entre os setores que as moldam, como iniciativa privada, academia, poder público e sociedade civil, para que deixem um bom legado urbano em sua atuação."

domingo

Choro: antropofagia musical

"O choro pode ser considerado como a primeira música urbana tipicamente brasileira (...) Esse tipo de música também era conhecida na época como pau-e-corda, porque as flautas usadas naquele tempo eram feitas de ébano. O choro foi o recurso que o músico popular utilizou para tocar, do seu jeito, a música importada que era consumida, a partir da metade do século 19, nos salões e bailes da alta sociedade. A música que os chorões tocavam, porém, logo se distinguiu em muito daquelas tocadas nos nobres salões cariocas". 

Luperce Miranda, o rei do bandolim

Aos domingos, oito da manhã, Perfilino Neto produz o programa Encontro com o Choro, na rádio Educadora FM, 107.5, em Salvador. 

Numa de suas edições conheci as belas músicas instrumentais do bandolinista Luperce Miranda, a quem Heitor Villa-Lobos haveria chamado "o rei do bandolim".

Veja a interpretação de alguns choros por seu filho Luperce Miranda Filho, e o maestro José Schiller (curioso sobrenome!) falando a respeito de Luperce.

sábado

Antropofagia hoje

"Ainda é possível propor uma releitura da teoria cultural de Oswald de Andrade? Vale a pena (mais uma vez!) reinterpretar a antropofagia? É possível convertê-la numa forma crítica de entendimento da realidade contemporânea? (...)

Ora, se o grande dilema contemporâneo é inventar uma imaginação teórica capaz de processar a vertigem de dados recebidos ininterruptamente, então, a antropofagia oswaldiana pode tornar-se uma alternativa relevante para a redefinição da cultura contemporânea." (Orelha do livro "Antropofagia Hoje? Oswald de Andrade em cena", 2011).


Acerca da atualidade da Antropofagia cultural - essa "imaginação teórica da alteridade" - recomendamos a leitura de "Antropofagia Hoje? Oswald de Andrade em Cena", organizado por João Cézar de Castro Rocha.

Veja entrevista com o organizador do livro.

Cooperifa






Se estiver em São Paulo, não deixe de ir à COOPERIFA (Cooperativa Cultural da Periferia). Doze anos de agito cultural! 

"Em 2000, ao ver uma fábrica abandonada em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, Sérgio Vaz decidiu que ali seria um espaço para encontros culturais. Filho de uma família pobre, mas “que não deixava faltar o básico: comida e livros”, há tempos ele procurava formas de unir a periferia pela arte. Lá nasceu a Cooperativa Cultural da Periferia, Cooperifa, um dos movimentos artísticos mais ativos de São Paulo.